quarta-feira, 22 de março de 2017

CARNE FRACA

Na onda de corrupção que campeia e prospera - agora, nem tanto por causa do trabalho da Justiça -, principalmente, no serviço público, onde muitos cedem às tentações alegando que a 'carne é fraca', a Polícia Federal acaba de revelar ao mundo um suposto esquema de pagamento de propina a fiscais agropecuários para liberar carnes adulteradas sem fiscalização. Segundo a PF, as empresas teriam usado substâncias para 'mascarar' a aparência de carnes podres, utilizando carne estragada e papelão na composição se salsichas e linguiças, cometido irregularidades na rotulagem e na refrigeração das peças e usado em frangos mais água que o permitido. Entre as envolvidas estão as gigantes BRF (marcas Sadia, Perdigão e Chester) e a JBS (Friboi, Seara, Big Frango, Swift e Maturatta), cujo prejuízo maior será acentuada queda nas vendas pelo menos nos próximos meses. Tanto aqui quanto lá fora. Muito mais por aqui, porque as empresas deverão gastar muita grana com publicidade e o brasileiro é muito bonzinho, esquece tudo com facilidade e adora uma promoçãozinha. Já na maioria dos países que importam nossas carnes 'fracas', com exceção da China que come até 'cacholo', a chama tende a se manter acesa, pelo menos até que outro escândalo surja para manchar a imagem do Brasil e de seus produtos comestíveis.  





ABUSO DE RENAN

O Congresso Nacional, o mesmo que quer votar a toque de caixa a Reforma da Previdência e outras que visam tapar o sol - e os rombos praticados recentemente - com a peneira e proteger os seus através do corporativismo por lá reinante, agora partiu pro tudo ou nada para impedir investigações da Justiça e o consequente fim da Operação Lava Jato que investiga um grande esquema de corrupção envolvendo a Petrobras (maior empresa pública do País), vários políticos (principalmente do PP, PT e PMDB), as maiores empreiteiras brasileiras e diversas empresas de outros ramos. Preocupados com suas cabeças, já que são investigados por supostas (supostas, por enquanto e para não comprometer ninguém) participações com a maior roubalheira de todos os tempos, alguns senadores não medem esforços para aprovar o projeto do Abuso de Autoridade, bem como o foro privilegiado e o da lista fechada nas eleições. Indiscutivelmente, o maior deles é Renan Calheiros, autor da proposta, que não vê a hora de aprovar o projeto, revogando a legislação vigente e estabelecendo novas punições a juízes e desembargadores, entre outras autoridades. Ou seja, imaginando intimidar uma Lava Jato mesmo sabendo que ela ganhou as ruas e será impossível conter a fúria dos que querem ver os culpados condenados e presos. 







CAOS EM NITERÓI

Tudo bem que as pessoas continuem optando por Niterói para morar e ser felizes, já que é um direito de todos fazer tal escolha e o município é, mesmo, atraente por várias razões que vão das belezas naturais, custo de vida menor se comparado ao Rio, por exemplo, à população altamente receptiva. Só que o poder público, em todas as esferas, já que temos a BR-101 e a Ponte Costa e Silva, têm de planejar melhor e mais rápido soluções para problemas advindos, principalmente, do caos que vem se instalando - não apenas em horários de rush - em suas principais ruas e avenidas 'entupidas' de carros e ônibus durante quase o dia todo. De um tempo pra cá, sair e chegar em Niterói tem sido um martírio digno das cidades mais agitadas e confusas do mundo. E das mais desorganizadas, também, no que se refere a um trânsito que não acompanhou o aumento populacional, se mantendo quase o mesmo de décadas atrás e o fato de ser atingido pelos reflexos diretos de milhares de veículos que vão e vêm para e de todas as direções.

PERIGO NOS ÔNIBUS

É bem verdade que a 'poliçada' que trabalha em Niterói e nos municípios vizinhos de São Gonçalo e Maricá - apesar dos problemas como baixos salários e alguns advindos da falta de infraestrutura e até mais apoio da Justiça, que muitas vezes dá vantagem aos fora-da-lei -  não vem brincando em serviço quando trata-se de impedir o aumento dos índices de criminalidade na região. Só que isto não vem acontecendo em relação aos assaltos a coletivos que, segundo o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj), cresceram 33,33% em comparação ao mesmo período do ano passado. É preciso que hajam outros métodos como, por exemplo, blitze diárias e em pontos sempre diferentes e não conhecidos, maior integração entre o Sistema de Acompanhamento de Frota (câmeras) e os responsáveis em enviar apoio e outros que consigam estancar a crise de insegurança que vem deixando os passageiros e seus familiares em pânico quando trata-se de exercer seu direito de ir e vir. Em paz.      


PARA PREFEITOS E AFINS

Com menos de 100 dias no cargo, a maioria dos prefeitos eleitos ainda não pode dizer a que veio. É bem verdade que temos pouco tempo para fazer uma avaliação imparcial e séria sobre ações que tenham sido implementadas para colocar - ou mesmo recolocar, no caso dos reeleitos - seu município nos trilhos. Corte de gastos, troca-trocas nas chefias, revisão de contratos, 'namoro ou casamento' com o Legislativo e, muitas vezes, caça às bruxas ( perseguição àqueles que não votaram no vencedor do pleito), certamente, estão entre as principais medidas adotadas pelos chefes do Poder Executivo neste primeiro momento, considerado por muitos como fundamental pois é aquela história: "pau que nasce torto, morre torto", ou ainda, "cortar o mal (ou mau como sendo aquele que não lhe serve?) pela raiz". Independente das torcidas político-partidárias, o que se precisa é ver atitudes tomadas no sentido de aprimorar o que está bom e corrigir o que está errado. E para isto, existem posturas e atitudes que deveriam ser levadas em conta, como as sugeridas por Dom Quixote de la Mancha a Sancho Pança, que ia assumir um governo local - Capítulos 52 e 53 (Miguel Cervantes, 1605):
      
A) 1. Os trajes devem se ajustar a dignidade de quem os usa. / 2. Atenção à "lei das suposições razoáveis". / 3. Tenha fé. / 4. Conheça primeiro a você mesmo. / 5. Exerça o cargo com branda suavidade e ligada à prudência. / 6. Seja humilde. / 7. A virtude se adquire e vale mais que o sangue que se herda. / 8. Nunca interpretes arbitrariamente a lei.
       
B) 9. Mais compaixão às lágrimas dos pobres, mas não mais justiça. / 10. Descubra a verdade entre as dádivas dos ricos e entre os soluços dos pobres. / 11. Não carregue com todo o rigor da lei a quem erra. / 12.  Em relação ao inimigo esquece a razão de o ser e avalie a verdade do caso. /13.  Não te cegue a paixão própria em causa alheia. / 14. A quem tens que castigar com ações, não trates mal com palavras.
       
C) 15. Dos atributos santos resplandece mais o da misericórdia que o da justiça. / 16. Sejas asseado. Não andes desmazelado. / 17. Tome discretamente o pulso ao que pode render seu trabalho. / 18. Não comas alho nem cebola em função do hálito. / 19. Ande devagar, fale com pausa, mas não que pareça que te escutas a ti mesmo. / 20. Jante pouco.
       
D) 21. Moderação ao beber. O vinho em excesso não guarda segredos nem cumpre promessas. / 22. Nunca arrotar na frente de alguém. / 23. Seja moderado em dormir. / 24.Serás incomodado por quem criticas e não serás premiado por quem exaltares. / 25. Tolices dos ricos passam por sentenças no mundo. / 26. Quando se dorme, todos são iguais. / 27. Sem boa índole, não há ciência que valha.

As dicas podem parecer pueris ou mesmo fora de ocasião para alguns (geralmente pra quem se sente quase um deus). Mas ao analisar a conduta inicial da grande maioria dos prefeitos - e até dos colaboradores mais diretos quando indicados para assumir um daqueles muitos cargos que costumam durar apenas um ciclo mas que elevam narizes e, às vezes patrimônios rápido demais -  se chega à conclusão que Cervantes sabia das coisas ao dar conselhos a Sancho Pança e bastante atual ao se referir à moçada das canetas, dos gabinetes e, principalmente, dos espaços midiáticos.

domingo, 19 de março de 2017

PRA COMEÇAR A SEMANA

Acredite que você consegue e estarás, pelo menos, na metade do caminho.

segunda-feira, 13 de março de 2017

ESTRADA DO TERROR

Frequentadores da praia João Francisco, em Quissamã, desde o fim dos anos 70, nunca tínhamos ouvido falar sobre insegurança e , até, cenas de extrema violência física quando se refere à estrada que faz a ligação entre o balneário e o Centro do município. No máximo, havia a preocupação com o excesso de bebida e a imprudência causadores de vários acidentes. Só que muita coisa mudou, em vários sentidos - para melhor e para pior - e, agora, segundo alguns relatos, têm sido recorrentes assaltos a moradores, banhistas, turistas, enfim, a pessoas que vêm se tornando vítimas de uma criminalidade que não poupa nem àqueles que querem apenas usar do direito de ir e vir. Em paz. Esperamos que as autoridades impeçam o estado de terror vivido pelos quissamaenses e as pessoas possam usufruir de suas prerrogativas ( pelo menos algumas) na mais absoluta plenitude, inclusive com absoluta segurança.

PRA COMEÇAR A SEMANA

O senador Jucá tem razão. A política brasileira é, mesmo, uma suruba.

quarta-feira, 8 de março de 2017

FARRA NO SENADO

Tudo indica que no próximo dia 26, num domingo, certamente, de muito sol, seis dias após as águas de março fecharem o verão (como na música de Tom Jobim), as ruas de norte a sul estarão repletas de patriotas que não aguentam mais tanto roubo, tanta desfaçatez, tantos desvios de várias naturezas praticados por maus brasileiros, além dos muitos excessos cometidos pelos representantes dos poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário), cujas benesses, vantagens, adicionais - ou qualquer outro nome que se queira dar às aberrações - a maioria não deseja mais. Estão sendo marcadas várias manifestações que, a exemplo de anos anteriores, deverão bradar "Fora Lula", "Fora Temer", Pelo Fim da Corrupção", "Moro, o Brasil Está Com Você" e tantas outras a favor da classe trabalhadora, dos estudantes, dos aposentados, dos idosos, das crianças, dos enfermos, enfim, dos 200 milhões de brasileiros e brasileiras verdadeiros 'donos' de tudo. Mas uma outra palavra de ordem, um outro tema deverá prevalecer no movimento: o fim das mordomias dos políticos, (ir) responsáveis por um gasto que ninguém suporta mais (exceção dos corruptos, ativos e passivos), sempre ancorado pelos governos que precisam aprovar projetos, muitos deles pessoais, protegendo, sempre, seu quinhão na roubalheira institucionalizada em que transformaram o País. E no turbilhão de emoções e atos cívicos visando medidas concretas para se interromper um ciclo e um círculo vicioso que vêm destruindo o Brasil, deverão estar os muitos privilégios recebidos pelos 81 senadores, como o salário mensal de, aproximadamente, R$34 mil até os vários e vastíssimos, além de vergonhosos e desproporcionais, "penduricalhos, adicionais ou qualquer outro nome que queiram dar às aberrações de quem é eleito para um mandato de oito anos, tem foro privilegiado e ainda carrega, desde o ventre das campanhas eleitorais, um suplente que, se assumir pelo menos durante seis meses, fica com todos os benefícios do 'patrão' (o verdadeiro dono do mandato), que muitas vezes sai para ocupar outro cargo na administração pública - devidamente negociado, como tudo na política brasileira - e deixa seu 'pupilo' esquentando lugar ou para entrar nas demais mamatas. Entre as outras 'safadezas', os maus exemplos, muitos dos quais seguidos por deputados federais, estaduais e, até, vereadores, pode-se destacar:
1- R$ 4 mil mensais de auxílio-moradia;
2- R$ 15 mil para despesas diversas;
3- Até R$ 6 mil de verba para correio ( talvez sejam um dos poucos que ainda usem tanto tal recurso em plena era da informática como instrumento de comunicação):
4- R$ 24 mil para passagens aéreas;
5- 25 litros de gasolina grátis por dia;
6- Plano de saúde ilimitado e vitalício, isto é, para o resto da vida para ele, cônjuge e filhos (certamente, os fora do casamento também, né Renan?), seja quando for, seja quanto for;
7- Indicação de até 52 assessores que não precisam ter experiência nem qualificação alguma, bastando ser indicado;
8- Aposentadoria integral (é bom lembrar que para o senador e seu suplente após os 180 dias de exercício parlamentar).
Finalmente (se é que para ardilosos haja fim), para se ter uma ideia do injustificável gasto, o Senado gera um custo anual de R$ 30 milhões com copeiros, massagistas, médicos, nutricionistas, produto de limpeza, viagens extras, etc. Por senador. Isto mesmo, dinheiro mais do que suficiente para pagar, por exemplo, 550 policiais, 250 médicos, 650 professores o ano inteiro. Como se vê, a farra com o dinheiro público em boa parte do Congresso e do Judiciário é um dos principais motivos de o País estar vivendo uma de suas maiores crises, a qual querem fazer com que os trabalhadores arquem com todos os ônus através de novos impostos (a volta da CPMF), Reforma da Previdência e tantas outras formas de extorsão. E um dos principais incentivos para a população ir pra rua, no dia 26 de março, mostrar que não quer mais isto.

segunda-feira, 6 de março de 2017

PRA COMEÇAR A SEMANA

A democracia é apenas a substituição de alguns corruptos por muitos incompetentes.
(George Bernard Shaw)

sexta-feira, 3 de março de 2017

ISTO É BRASIL

Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV, na
peça teatral Le Diable Rouge, de Antoine Rault:


Colbert: - Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o
contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente,
que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está
endividado até o pescoço ? 

Mazarino: - Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas,
vai parar na prisão. Mas o Estado é diferente!!! Não se pode mandar o
Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se! Todos os
Estados o fazem!

Colbert: - Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os
impostos imagináveis?
Mazarino: - Criando outros.
Colbert: - Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino: - Sim, é impossível.
Colbert: - E sobre os ricos?
Mazarino: - Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico
que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: - Então, como faremos?
Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há
uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que
trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que
devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais
lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes
tiramos. Formam um reservatório inesgotável.
É a classe média !

ROBIN HOOD ÀS AVESSAS

Semana que vem, quando a classe política deverá manter a tradição de (re)iniciar os trabalhos legislativos, depois do recesso imposto por Momo, a tal da Reforma da Previdência Social - já chamada pela maioria de maldita e 'da Morte' - tomará quase todos os espaços dedicados às discussões sobre possíveis mudanças no sistema de pagamentos aos milhões de brasileiros e brasileiras que contribuíram, durante anos e anos, e, agora, têm direito a receber parte (diga-se de passagem, bem pequena e injusta) através dos 'benefícios' que um Congresso, maldito, da Morte e, como quase sempre, corporativo e comprado, quer, praticamente, aniquilar, extinguir, no mínimo, colocar como o salvador de um rombo que, até eles sabem, não existe. Nunca existiu de verdade. Durante muito tempo, temos usado este precioso espaço para mostrar que o problema não consiste em um grande déficit da Previdência e, sim, num grande rombo deixado pelos que não honra(ra)m com seus compromissos - a exemplo do que são obrigados a fazer aqueles que trabalham para ter uma vida um pouco mais digna - isto é, muitas das maiores empresas brasileiras que sonegam, fraudam, não pagam o que devem a todos nós, desviando os recursos multimilionários e suficientes para nos devolver parte do que é nosso. Com fazem alguns dos verdadeiros vilões, os inimigos do Brasil, os Lesa-Pátria, os 'malandros' que a maioria dos congressistas parece disposta a proteger, como a Vale do Rio Doce, a Friboi, a JBS, o Itaú/Unibanco, o Bradesco, os antigos Banco do Ceará, TV Manchete e Companhia de Aviação Varig e até a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil que ajudam a acumular uma dívida de R$ 426,07 bilhões, quase três vezes o atual denominado déficit do setor, cerca de R$149,7 bilhões no ano passado. Como se pode constatar, o déficit da previdência é um discurso ideológico que não respeita a Constituição e o mais novo golpe do PMDB - alicerçado, todo, pelo PT e seus puxadinhos - do presidente Michel Temer, Renan Calheiros, Romero Jucá, Moreira Franco, José Sarney, entre outros, que muitos ajudaram a ascender ao poder mas que começam a se arrepender amargamente. Para quem ainda tem dúvida, há uma lista  de devedores de mais de 500 nomes de empresas públicas, privadas, fundações, governos estaduais e prefeituras que devem ao Regime Geral da Previdência Social feita pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (portanto, não é coisa dos cães raivosos do PT ou dos reacionários da internet que eles costumam dizer que não têm responsabilidade com o País). É um trabalho sério de gente séria da Dívida Ativa da União, por exemplo, que verificou que, desde a década de 60, existem débitos de devedores de vários tipos, desde um pequeno a um grande, e entre eles há muita variação de capacidade econômica e financeira, suficientes para impedir mais esta covardia contra quem não tem nada a ver com a roubalheira praticada contra quem contribuiu - e ainda contribui - com um sistema que não faz favor algum quando tem de devolver parte do que é seu por direito. 

domingo, 26 de fevereiro de 2017

PRA COMEÇAR A SEMANA

Carnaval, sim, mas sem perder o foco nos gastos de dinheiro público para se "botar o bloco na rua".

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

REFORMA DO FIM

Seguindo a linha de só fazer o que manda o governo e, claro, defender, primeiro, seus próprios interesses, a maioria dos deputados federais - corrupta e corporativa quando trata-se de colocar a população em planos secundários, haja vista a situação do Brasil - parece bastante inclinada em aprovar a tal da PEC 287, Proposta de Emenda à Constituição sobre a Reforma da Previdência Social que, entre outras injustiças, poderá extinguir a aposentadoria por contribuição, estabelecer a mesma idade para homens e mulheres na concessão do benefício e prejudicar, por exemplo, os trabalhadores que estão prestes a se aposentar e os rurais já sofridos pelo tipo de trabalho realizado em condições muitas vezes precáriasSem falar que para se conseguir (mais conhecido como ter direito a algo que é seu) a aposentadoria integral, pelas regras propostas na PEC, um trabalhador precisaria contribuir durante 49 anos, uma façanha se considerados fatores como rotatividade e informalidade no mercado de trabalho. E, como sempre, arranjaram políticos dispostos a fazer o que for preciso para aprová-la. E a toque de caixa (1, 2 ou 3 desde que represente uns poucos colocando mais dinheiro público no bolso), como a Comissão Especial presidida pelo deputado Carlos Marun (PMDB-MS), considerado 'corajoso por uns' e 'louco por outros', pois, recentemente, defendeu, quase sozinho, o agora ex-deputado - atualmente preso em Curitiba pelos vários processos investigados pela Operação Lava Jato-, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) antes de sua cassação. Argumento mais do que suficiente para mostrar sua grande capacidade de se colocar 'de peito aberto' para defender coisas polêmicas, absurdas e para confirmar seu pouco equilíbrio mental. Devido ao caos que pode causar (muitos analistas consideram que a questão pode representar o estopim para uma grande revolta popular) a Reforma da Previdência vem ganhando espaços preciosos até na mídia internacional. Com o pretexto de defender aquilo que chama de necessidade urgente de se reequilibrar as contas da Previdência porque senão 'ela quebra' e que não conseguirá pagar aos beneficiários a médio prazo, o governo de Michel Temer (PMDB-SP), liderado por Eliseu Padilha (PMDB-RS) Moreira Franco (PMDB-RJ), Roberto Jucá (PMDB-AP), Renan Calheiros (PMDB-AL), Edson Lobão e José Sarney (ambos do PMDB-MA, embora o ex-presidente imortal tivesse o costume de deixar o Estado para o clã em época de eleição) - como se vê, todos do mesmo partido de sempre quando trata-se de, pasmem,"defender a população" - precisamente, tendo à frente sua equipe econômica, insiste em dizer que tem de haver uma mudança radical no sistema previdenciário para que seja superavitário. Mas, não é bem assim, se levarmos em consideração as sonegações, os intocáveis benefícios, acumulações, benesses e aposentadorias nababescas nos poderes da república (enquanto não a proclamarem, de fato, continuarei escrevendo em caixa baixa), de cabo a rabo, em todas as instâncias, sem exceção e os altíssimos salários em algumas categorias do serviço público que, por si só, caso houvesse um estudo sério e aprimorado seriam mais do que suficientes para devolver aquilo que é de direito do trabalhador, ou seja, receber parte -pequena, aliás - do  que é seu por direito: a aposentadoria, benefício pessoal e de sua família que, inclusive, querem reduzir em 50% no caso do falecimento do cônjuge. Sem falar na DRU (Desvinculação de Despesas da União) que, só este ano, 'pegou' R$280 milhões da Previdência para tapar buracos outros. Ficam as perguntas: que rombos são estes que permitem tudo isto? A quem interessa aprovar uma PEC que, entre outros malefícios, trará, de volta, vários pontos percentuais de pobres a mais no Brasil? Será que o Congresso a aprovará mesmo sabendo que não atende às necessidades sociais e econômicas brasileiras e que é totalmente irrealista para nossa realidade pois leva em conta que a pessoa trabalhadora contribuiu todos os meses, ininterruptamente, no período entre os 16 e os 65 anos, sem nunca ter ficado desempregada, inativa do ponto de vista econômico, na informalidade (isto é, como autônoma sem contribuição previdenciária) ou na ilegalidade (contratada sem carteira)? Mas nem tudo está perdido. O golpe de morte nos trabalhadores e também na sustentabilidade dos sistemas de política social e previdenciário, como quer a PEC e desejam donos de previdência privada e, certamente, muitos que se beneficiarão com sua aprovação, só pode ser evitado se as ruas voltarem a se manifestar e a opinião pública, com suas redes alternativas, propagar que é injusta e pode conduzir o País a um caos ainda maior.


Entendendo a PEC da Morte

• Para a concessão da aposentadoria, será preciso ter pelo menos 65 anos de idade e no mínimo 25 anos de contribuição. A aposentadoria por contribuição será extinta. Atualmente, no regime geral, é necessário ter 65 anos (homens) ou 60 anos (mulheres) e 15 anos de contribuição.


 Está prevista uma regra de transição, para homens com mais de 50 anos e mulheres com mais de 45 anos. Eles teriam de pagar um “pedágio” equivalente à metade do tempo de contribuição que resta para a aposentadoria. Se faltam cinco anos, por exemplo, teriam de trabalhar mais dois anos e meio

 Além do “pedágio”, eles teriam as regras de cálculo para a aposentadoria já alteradas. Assim, em vez da média de 80% dos maiores valores de contribuição, esse trabalhador receberia o equivalente a 51% da média (desde julho de 1994) mais 1% por ano de contribuição. Em um exemplo mais repetido, teria de trabalhar durante 49 anos seguidos para conseguir a aposentadoria integral. Em qualquer caso, perde receita

 Também cairiam os valores dos benefícios, tanto para servidor vinculado ao RPPS (regime próprio) como para o segurado do RGPS (regime geral). A PEC desvincula benefícios do salário mínimo. Segundo o Dieese, as pensões concedidas com valor de um mínimo correspondiam, em 2015, a 55% do total e por 36% do montante pago

 O Dieese dá exemplos de uma professora da educação básica e de uma trabalhadora rural com 44 anos de idade na data de promulgação da emenda constitucional (caso a PEC seja aprovada). Nesse caso, elas não serão contempladas pela regra de transição e terão de trabalhar 10 anos a mais: em vez de 11, 21 anos. A proposta suprime diferenças entre homens e mulheres nos critérios de idade e tempo de contribuição

domingo, 12 de fevereiro de 2017

PRA COMEÇAR A SEMANA

Pode, até, faltar muito. Mas a coisa tá melhorando pra população honesta e piorando pro resto. O mal politico, cada vez mais, corre o risco de ser preso e devolver o produto do roubo.